01/06/2021

Aos leitores deste blog

Muito longo foi o período desde a última postagem feita nele - outubro de 2015. Preferi agora, depois de passado o golpe, denominado parlamentar-judicial- midiático, postar, em primeiro lugar,  a entrevista, ao Brasil de Fato, concedida pelo filósofo, professor da USP, Paulo Arantes. Apesar de ter sido 17 de novembro de 2018, ou seja, logo após as eleições em que assumiu o poder a extrema direita, fascista, a publicação permanece atual, porque este professor coloca a situação política do Brasil após as eleições de outubro de 2018, em que a extrema direita assumiu o poder, auxiliada pelo antipetismo, pelo ódio e notícias falsas disseminados pela direita e por boa margem dos ausentes e dos que votaram em branco ou nulo.

https://www.brasildefato.com.br/2018/11/13/abriu-se-a-porteira-da-absoluta-ingovernabilidade-no-brasil-diz-paulo-arantes

Mas, hoje, 01 de junho de 2021, após a demonstração inequívoca de repulsa ao negacionismo e ao genocídio, com o povo na rua - em cerca de 400 cidades, enfrentando os riscos da pandemia - encontro importante marco para colocar neste blog: a entrevista que Lula concedeu, na sexta-feira 28 de maio último, à Rádio Tiradentes do Amazonas:


No dia anterior à entrevista, o ex-Presidente postou no Twitter:

"Quero ver o povo brasileiro tendo orgulho de chegar num aeroporto e mostrar seu passaporte. Sendo parabenizado por ser brasileiro. A gente já viveu isso. É possível consertar esse país. Tudo que conseguimos fazer foi porque o povo acreditou e teve esperança."

20/09/2015

Dia 16 de setembro de 2015: a grande vitória do cidadão eleitor; dia histórico para a democracia! O STF considera mortas as contribuições empresariais para eleições

Veja os detalhes a seguir:

Depois de um ano e nove meses, o STF (Supremo Tribunal Federal) concluiu nesta quinta-feira (17) o julgamento da proibição das doações de empresas a candidatos e partidos políticos.
Por 8 votos a três, o tribunal considerou as doações inconstitucionais. A ação que contestou as contribuições empresariais no financiamento político foi movida em 2013 pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), com o argumento de que o poder econômico desequilibra a disputa eleitoral.
Segundo o ministro Ricardo Lewandowski, presidente da Corte, a proibição já vale para as eleições municipais de 2016, "salvo alteração legislativa significativa".
Na última quinta-feira (10), a Câmara dos Deputados derrubou o veto do Senadoe aprovou projeto de lei que permite doações de empresas a partidos, num limite de R$ 20 milhões. O texto seguiu para a sanção da presidente Dilma Rousseff (PT), mas a decisão de hoje no STF pode levar a presidente a vetar a nova legislação. A petista tem até o dia 30 para avaliar o projeto.
Nas eleições de 2014, 70% do dinheiro arrecadado por partidos e candidatos veio de empresas. Pela lei atual, pessoas jurídicas poderiam doar até 2% do faturamento bruto do ano anterior ao das eleições. Pessoas físicas também podem fazer doações, no limite de 10% de seu rendimento. Essa possibilidade foi mantida pelo STF.
O julgamento começou em dezembro de 2013 e foi interrompido duas vezes. Em 2013, o ministro Teori Zavascki pediu vista e, em abril de 2014, o ministroGilmar Mendes fez o mesmo. O julgamento só foi retomado nesta quarta-feira (16). Ontem, Mendes votou pela permissão das contribuições eleitorais das empresas. Também votou favoravelmente o ministro Teori Zavascki e Celso de Mello, o último a votar nesta quinta.

Argumentos a favor de proibir as doações

A ministra Rosa Weber afirmou em seu voto que as doações privadas desequilibram as chances dos candidatos, favorecendo aqueles que conseguem mais contribuições empresariais. "É de rigor, pois, concluir, que a influência do poder econômico transforma o processo eleitoral em jogo político de cartas marcadas", afirmou Weber.
Já a ministra Cármen Lúcia, que também votou nesta quinta-feira, acompanhou o relator no julgamento da inconstitucionalidade das doações, e usou um argumento defendido por outros ministros, de que as doações levam a um "abuso" do poder econômico. "Se não há regras expressas [na Constituição], considero que o espírito da Constituição me leva a pedir vênia dos votos divergentes para acompanhar o relator", afirmou Lúcia.
Em 2013, quatro ministros já haviam votado a favor de mudar a lei e proibir o financiamento por empresas. Foram eles: Joaquim Barbosa (que já se aposentou da Corte), Luiz Fux, Dias Toffoli e Luís Roberto Barroso.
E, em abril de 2014, os ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski também votaram contra a doação por empresas. 
"No Brasil, os principais doadores de campanha contribuem para partidos que não têm identidade política e se voltam para obtenção de acordos com o governo. As empresas investem em todos os candidatos que têm chance de vitória", afirmouMarco Aurélio ao votar. 
"O financiamento fere profundamente o equilíbrio dos pleitos, que nas democracias deve se reger pelo princípio do 'one man, one vote' [um homem, um voto]", disseLewandowski.
"O financiamento público de campanha surge como a única alternativa de maior equilíbrio e lisura das eleições. Permitir que pessoas jurídicas participem do processo eleitoral é abrir um flanco para desequilíbrio da dicotomia público-privada", afirmou Dias Toffoli.
"O papel do direito é procurar minimizar o impacto do dinheiro na criação de desigualdade na sociedade e acho que temos uma fórmula que potencializa a desigualdade em vez de neutralizá-la", disse Luís Roberto Barroso.

Argumentos contrários à proibição de doações

"O que a Constituição combate é a influência econômica abusiva", disse o decano Celso de Mello. "Entendo que não contraria a Constituição o reconhecimento da possibilidade de pessoas jurídicas de direito privado contribuírem mediante doações a partidos políticos e candidatos, desde que sob sistema de efetivo controle que impeça o abuso do poder econômico", afirmou o ministro.
Em complemento ao seu voto nesta quinta-feira, Zavascki voltou a afirmar que não há na Constituição a proibição expressa às doações empresariais. No entanto, o ministro defendeu que o STF proponha a proibição de doações de empresas com contratos com o poder público e que doem a candidatos rivais. "É possível afirmar que certas vedações constituem em decorrência natural do sistema constitucional", afirmou o ministro.
Gilmar Mendes, por sua vez, fez um voto duro, com muitas críticas ao PT, partido da presidente Dilma Rousseff. Em seu voto, o ministro argumentou que a proibição das doações empresariais tornaria necessário o financiamento público, feito com recursos do governo, de gastos elevados das campanhas. Ele também argumentou que a proibição "asfixiaria" os partidos de oposição. "Nenhuma dúvida de que ao chancelar a proibição das doações privadas estaríamos chancelando um projeto de poder. Em outras palavras, restringir acesso ao financiamento privado é uma tentativa de suprimir a concorrência eleitoral e eternizar o governo da situação", declarou.


29/04/2015

O JORNAL DA CIÊNCIA, DA SBPC, DIVULGOU A SEGUINTE NOTÍCIA SOBRE O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

MEC alerta estados e municípios para elaboração dos planos de educação no prazo
Até fevereiro deste ano, apenas 55 dos 5.570 municípios brasileiros tinham finalizado o plano, bem como três das 27 unidades federativas
Estados e municípios têm prazo de apenas um mês para elaborar seus planos de educação, conforme determina o Plano Nacional de Educação (PNE) do Ministério da Educação (MEC), aprovado em junho de 2014. No entanto, até fevereiro deste ano, apenas 55 dos 5.570 municípios brasileiros tinham finalizado o plano, bem como três das 27 unidades federativas.
A representante da Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino (Sase), do MEC, Flávia Maria de Barros Nogueira, acredita, porém, que a maioria dos estados e municípios conseguirá cumprir a obrigação até o final de maio. “Temos pouca governabilidade sobre os trâmites administrativos, mas é fato que a grande maioria vai estar com o projeto de lei encaminhado.”
Segundo Flávia, a meta não será obtida pela totalidade: “sabemos que alguns terão alguma dificuldade e trabalharemos intensamente com os que restarem para finalizar o trabalho. O Ministério Público tem um plano de ação para localizar os municípios e avaliar porque o prazo não foi cumprido e o que será feito dali em diante.”
De acordo com ela, a maior preocupação é fazer com que todos os estados e municípios tenham planos de educação, que mostrem viabilidade prática e tenham sentido e condições de alterar a política educacional em seu campo de atuação. “Nosso objetivo é mostrar que há uma mobilização nacional. Todo o MEC está passando por um replanejamento, com todos os programas sendo adequados ao PNE. Ou os municípios e estados compreendem que estamos em um novo momento da educação, ou eles vão perder muito.”
Para Flávia, o ideal seria que o PNE orientasse os estados a fazer seus planos, observando os municípios. “Nós tivemos o PNE tramitando por quatro anos, tivemos uma lentidão muito grande dos municípios para perceber que o tempo depois da aprovação seria curto para fazer o trabalho”, disse ela. A orientação é tentar uma articulação entre estados e municípios para que, depois, o MEC possa fazer uma pactuação para a execução das metas.
(Flávia Albuquerque / Agência Brasil)

09/04/2015

UM PROFESSOR COMO MINISTRO DA EDUCAÇÃO - RENATO JANINE RIBEIRO

Ministro educador

A presidente ainda disse que a indicação de Janine Ribeiro é uma "feliz novidade". "Quem poderia ser mais indicado para comandar toda essa transformação do que um professor? Eu convidei um professor, um pensador e um apaixonado pela educação".
"Ele é uma feliz novidade, porque é um ministro educador numa pátria educadora. Sua escolha traduz a minha maior prioridade para os próximos 4 anos".
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Imagens do dia - 6 de abril de 201538 fotos

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O novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, tomou posse nesta segunda-feira (6), substituindo Cid Gomes (Pros), que deixou o cargo após desentendimento na Câmara dos Deputados. Durante a cerimônia de posse a presidente Dilma Rousseff disse que os ajustes nas contas do governo não afetarão os programas importantes do MEC (Ministério da Educação) Sergio Lima / Folhapress
Janine Ribeiro é professor titular de Ética e Filosofia Política da USP (Universidade de São Paulo) e foi diretor da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) entre 2004 e 2008. Fez mestrado na Université Paris Pantheon-Sorbonne, doutorado na USP e pós-doutorado na British Library.
O professor da USP chega ao MEC com forte apoio na academia e fora dela, mas sob enorme restrição orçamentária.
Em entrevista à "Folha" publicada nesta segunda, Janine disse que a maior prioridade é a educação básica (ensinos fundamental e médio). Para dar o salto de qualidade que lhe falta, seu plano é engajar mais as universidades federais e seus estudantes na tarefa, inclusive com recurso ao ensino à distância.
"Um dos principais instrumentos do MEC são as universidades federais", afirma. "A educação pode ter os seus 18% [das receitas de impostos da União] garantidos pela Constituição, mas uma parcela enorme disso vai para as federais."
Ribeiro publicou livros como "A última razão dos seis", "A Universidade e a Vida Atual" e "A sociedade contra o social", ganhador do prêmio Jabuti de ensaio em 2001.

Leia a entrevista concedida pelo novo Ministro:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/214849-universidade-federal-deve-atuar-mais-no-ensino-basico.shtml

07/03/2015

REFORMA POLÍTICA DEMOCRÁTICA JÁ!



Pablo Villaça* é bem didático: "Saiu a lista da Lava-Jato. E imediatamente começaram os gritos de "olha o Lindbergh!", "Olha o Collor!", "Olha o Anastasia!" e assim por diante. Como de hábito, personaliza-se a questão - segundo o interesse de seu lado - e ignora-se o quadro geral.

Claro que a tentação é grande. Anastasia foi vice e sucessor de Aécio e seu coordenador de campanha; Palocci, o coordenador de campanha de Dilma. E percebam que mesmo que Youssef tenha mencionado atos de corrupção que abrangem a era FHC, a denúncia se limitou aos últimos anos - ou seja: se voltarmos no tempo (como fiz neste post:https://www.facebook.com/pablovillaca01/posts/593443530760877), veremos que o problema é sistêmico e histórico.E é aí que reside o problema: só uma reforma política imediata pode oferecer alguma esperança de melhoria para a praga da corrupção.

Não vou ficar "celebrando" o fato de Cunha, Calheiros, Anastasia e Lobão terem sido indicados apenas porque me oponho a eles; seria o mesmo que comemorar porque a cama do meu inimigo está pegando fogo sendo que divido o quarto com ele. Quando presidentes da Câmara e do Senado estão em suspeição ao lado de deputados e senadores de TODOS os principais partidos, é porque o SISTEMA está quebrado.

Acreditar que o PT inventou a corrupção é tanta estupidez quanto achar que o PSDB a inventou. Ela já existia bem antes de ambos. (Pra quem acha que na época dos militares não havia corrupção, é bom lembrar que as empreiteiras tomaram conta do poder nesta época. A corrupção não só era endêmica como varrida pra baixo do tapete sob pena quase de morte. Multinacionais e bancos europeus subornavam ministros abertamente e o superfaturamento era regra (vide Ferrovia do Aço.)

O sistema não funciona, pura e simplesmente. Está nas mãos das corporações, que, por sua vez, elegem indivíduos que já assumem corrompidos. Sabem quanto custa uma campanha para deputado estadual com o MÍNIMO de chance de vitória? Um milhão de reais. Sabem o que isso significa? Que quem consegue se eleger só teve sucesso porque teve dinheiro graúdo financiando.

E quem financiou quer retorno do investimento.E quem foi eleito já está, quase por definição, habituado à idéia de grandes cifras entrando em caixa. Política acaba virando profissão, não vocação. Não é à toa que famosos decadentes em suas carreiras usam a fama pra se eleger. Têm vocação ou interesse sociais? Não: querem segurança e só.

A política não pode ser bancada por grandes fortunas que simplesmente elegem lobistas travestidos de parlamentares.

Isso é senso comum. Mas ficamos aqui brigando entre "governo x oposição" e nada mudará. E é o que eles querem. Aliás, os golpistas que buscam derrubar o governo usam "corrupção" como desculpa, mas querem mesmo é sua ideologia no comando. É preciso separar as duas coisas. Além disso, como já vimos, o sistema está todo errado. Se o problema for "corrupção", não há saída. Dizer que PT "institucionalizou" a corrupçao é demonstrar PROFUNDO desconhecimento dos fatos: compra de votos pra reeleição, SIVAM, Proer, trensalão, aeroporto de Claudio, privataria, DNER, Marka/FonteCindam, Sudene, Petrobrás (sim, há muitos desvios na era FHC), mensalão tucano... BILHÕES e BILHÕES roubados. Isto não era corrupçào "Institucionalizada"? Por favor. Ter uma opinião é uma coisa; tentar ter seus próprios FATOS é outra completamente diferente.

Mas vejam só: embora tenha vindo antes, tampouco foi o PSDB que institucionalizou a corrupção. Como apontei antes, foi na ditadura que as corporações e as multicionais e as empreiteiras invadiram a casa e ocuparam a sala.

Assim, em vez de ficar disputando valores de corrupção, que tal considerar o que falei sobre reforma política?

Mas não há debate ou melhora possível quando um dos lados soa como disco quebrado - e ao propor a discussão acima no Twitter, por exemplo, várias pessoas responderam apenas com um "FORA DILMA!", repetindo a mensagem empacotada por Globo, Veja, Foxlha e outros. (E se quiserem ver isto em ação, só passar os olhos nos comentários abaixo deste post, querem apostar?) Porque a mídia QUER ver o conflito entre lados. E NÃO QUER reforma política. Porque ela se beneficia do sistema atual. (E se você tem alguma dúvida sobre a canalhice da mídia, o Noblat deu, como manchete, "Dilma encabeça lista de Janot".)

Num mundo utópico, iríamos todos pra rua não no dia 13 pra defender o governo e combater o golpismo canalha ou no dia 15 pra atacar Dilma. Iríamos, sim, todos, sei lá, no dia 14 pra exigir reforma política. Num mundo utópico.

Por isso repito... direita e esquerda, tucanos e petistas, situação e oposição: querem melhorar o país?

DEFENDAM REFORMA POLÍTICA JÁ.





* Pablo Villaça é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil (Wikipedia).

04/11/2014

EDUCAÇÃO COMO CAMINHO DO FUTURO: UNANIMIDADE NACIONAL

A educação é unanimidade nacional quanto a ser o caminho inevitável para o futuro.

Isto pode ser constatado no Congresso Nacional, no Poder Executivo, no Judiciário, na academia e nas falas do cotidiano de todos os cidadãos.

Em se tratando do Programa do próximo governo (2015-2018), já foram destacados neste blog, na postagem sobre ele, alguns tópicos:

11. No terreno da fixação de metas, nessa área da Educação, o Plano estabelece:

> "universalizar a educação infantil de 4 a 5 anos até 2016";
> extensão da educação em tempo integral para 20% da rede pública, até 2018;
> no âmbito do PRONATEC, garantir "a formação plena da juventude brasileira, com acesso ao conhecimento científico e tecnológico, por meio de um pacto nacional pela melhoria de qualidade do ensino médio, até 2016";
> concessão, "no período 2015-2018, de mais 100 mil bolsas do Ciência sem Fronteiras".
> criação de "mais 12 milhões de vagas para cursos técnicos até 2015, na segunda fase do Pronatec-2".

Para ressaltar hoje o significado do Plano Nacional de Educação (PNE - 2014-2024) recorre-se ao portal do Fórum Nacional de Educação (FNE), instituído pela própria Lei nº 13.005/2004 que aprovou o Plano (http://fne.mec.gov.br/images/doc/pne-2014-20241.pdf).

FÓRUM NACIONAL DE EDUCAÇÃO: http://fne.mec.gov.br/o-forum

02/11/2014

PROGRAMA DE GOVERNO – DILMA ROUSSEF “MAIS MUDANÇAS, MAIS FUTURO"


Evidentemente, quem quer acompanhar um novo período de governo, procura o seu plano de ações. Por isso, aqui está uma síntese dele, cujo texto integral (42 páginas) pode ser encontrado em http://nupesp.org/arquivos/Programa-de-Governo-Dilma-2014.pdf

Abordam-se aqui as grandes linhas estratégicas e principais programas, pois a dimensão do país e a diversidade de atuações governamentais, especialmente numa federação cooperativa como é o caso brasileiro, não permite detalhar todas as formas de contribuição do setor público para a oferta de serviços à sociedade.

1. Inicialmente, registre-se o pressuposto presente no Plano - a passagem do Brasil para o mundo desenvolvido: "seu destino é ser um país desenvolvido".

"Quando saímos da longa noite da ditadura, soubemos dizer “nunca mais”! Agora, após mais de uma década de grandes transformações em nosso país, é hora de afirmarmos “nunca menos”!"

2. Trata-se de lançar " um novo ciclo histórico de prosperidade, oportunidades e de mudanças."

3. "Um dos alicerces deste novo ciclo é o fortalecimento de uma política macroeconômica sólida, intransigente no combate à inflação e que proporcione um crescimento econômico e social robusto e sustentável."

4. "Outro alicerce é nosso compromisso com o Brasil Produtivo. As nossas políticas Industrial, Científica, Tecnológica e Agrícola vão atuar para reduzir os custos de investimento e produção, estimulando nossa capacidade de inovação, reduzindo os custos logísticos e melhorando o ambiente de negócios do país."

5. Uma estratégia é incentivar "o empreendedorismo ao reduzir drasticamente a burocracia, que impõe um alto custo para as empresas. Simplificar será uma diretriz para a relação do Estado com as empresas. Vamos informatizar, criar cadastro único e diminuir o volume de documentos e registros demandados do cidadão. Vamos construir um Estado cada vez mais eficiente, transparente e moderno."

6. Registre-se a diretriz de incentivar "a ampliação da presença de micro e pequenos empreendedores nos cursos, em especial de gestão, na segunda fase do PRONATEC. Além disso, vamos estimular cada vez mais a participação desses empreendedores nas compras públicas, fortalecendo os pequenos negócios."

7. Para este propósito, é prevista a continuação "de programas de desenvolvimento da cadeia de fornecedores e de exigência de conteúdo local", bem como o estímulo à "modernização do parque fabril", a "desburocratização de processos e procedimentos nos negócios, incluindo ampla simplificação tributária" e a "redução de custos financeiros e de insumos". Também se prevê o investimento "na formação educacional de nossa mão-de-obra".

8. No campo da indicação de grandes projetos, o Plano menciona "a implantação das plataformas do conhecimento será uma das estratégias para acelerar a geração de inovação no Brasil. Elas preveem a criação de um ecossistema de inovação, no qual a interação entre cientistas, instituições de pesquisa e empresas permitirá, para áreas estratégicas ao desenvolvimento, acelerar a produção de conhecimento e sua transformação em produtos e processos inovadores, fundamental para o crescimento de competitividade de nossa economia".

9. "Para assegurar maior efetividade da política ambiental, fortaleceremos a coordenação intergovernamental, em âmbito nacional, de modo a somar os esforços da União àqueles dos Estados e Municípios, em especial nas áreas de licenciamento ambiental, recursos hídricos, mudança climática e florestas. As três instâncias de governo são protagonistas da política ambiental do país e a sinergia entre elas é fundamental para a qualificação de um projeto nacional de desenvolvimento sustentável e inclusivo. Aprofundaremos o processo de modernização do licenciamento ambiental em curso com a regulamentação da Lei Complementar 140".

"A segurança hídrica será tratada com prioridade, mobilizando ações compartilhadas e concatenadas das três esferas de governo para que as necessidades múltiplas de uso da água – consumo humano, irrigação, hidroelétricas, pecuária e outros – sejam levadas em conta de forma racional e sustentável. Manteremos nosso compromisso com a redução de emissões. Para isto, daremos continuidade ao combate do desmatamento, em especial na Amazônia, e aceleraremos a implementação dos planos setoriais previstos no Plano Nacional de Mudança Climática. O Brasil se engajará fortemente nas negociações climáticas internacionais que terão lugar em 2015, para que seus interesses sejam contemplados no processo de estabelecimento dos parâmetros globais. Aceleraremos a implementação do Cadastro Ambiental Rural – peça fundamental do novo Código Florestal –, que envolve a integração entre o governo Federal e as administrações estaduais.
Nosso compromisso é apoiar todos os proprietários rurais para que, no prazo definido por lei, tenham a situação de suas propriedades regularizada. Fortaleceremos a reestruturação produtiva em direção à economia de Baixo carbono e a aposta no uso de recursos naturais como a melhor forma de sua preservação, em especial pelas populações tradicionais que ocupam regiões importantes do ponto de vista da biodiversidade. "

10. Com relação à educação, o Plano aponta para um processo de transformação da qualidade do ensino. Para dar respaldo a esse objetivo o Plano registra que "no novo governo de Dilma, estarão gradativamente disponíveis para a educação 75% dos royalties do petróleo e 50% dos excedentes em óleo do pré-sal". 

11. No terreno da fixação de metas, nessa área da Educação, o Plano estabelece:

> "universalizar a educação infantil de 4 a 5 anos até 2016";

> extensão da educação em tempo integral de 20% da rede pública, até 2018;

> no âmbito do PRONATEC, garantir "a formação plena da juventude brasileira, com acesso ao conhecimento científico e tecnológico, por meio de um pacto nacional pela melhoria de qualidade do ensino médio, até 2016";

> concessão, "no período "2015-2018, mais 100 mil bolsas do Ciência sem Fronteiras".

> criação de "mais 12 milhões de vagas para cursos técnicos até 2015, na segunda fase do Pronatec-2".

12. O Plano aborda as reformas fundamentais:

> uma ampla e profunda Reforma Política, "cujo objetivo é resolver as distorções do nosso sistema representativo. Para assegurá-la será imprescindível a participação popular, por meio de um plebiscito que defina a posição majoritária sobre os principais temas";

> a "reforma federativa que defina melhor as atribuições dos entes federados – União, Estados e Municípios";

> "a  reforma urbana pretende melhorar a qualidade de vida da população urbana, que hoje representa 81% dos brasileiros. Essa reforma enfrentará o desafio de equacionar o déficit habitacional, a questão da mobilidade urbana, do saneamento e da segurança pública."

No terreno das metas, o Plano prevê, relacionada com essa Reforma, "a Universalização do Saneamento Básico, com destaque para a universalização do abastecimento da água tratada e a expansão em todo o território nacional do esgotamento sanitário e do seu tratamento".

Cabe destacar a frase final do Plano:


“No novo patamar proposto para um Brasil que já se renovou muito, vamos criar as condições para que o país deixe para trás esse passado de desigualdades e exclusões e cuide, com paixão e desvelo, das crianças, jovens e adultos, para que todos vivam num país cheio de oportunidades. Para tornar-se, enfim, um país desenvolvido.”